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domingo, 24 de dezembro de 2017

Poe-minhas






Igual uma  gavinha
Se agarra a rãzinha.












Por um instante
Um vaso Itinerante...





De JALopes®
Dez. 2017

FLOR-A

Flora

Na palidez do lírio,
Que primor o teu sorriso.
No rubor da rosa,
A timidez  no rosto.

Um pendão ao vento,
Gracioso andar.
Mas são teus lábios,
Que doçura!
Que levam à loucura
Um beija-flor apaixonado!


Dez. 2017

De JALopes®

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Três

TRÊS


Capítulo I


Era uma casa  simples fincada numa área   grande cujo fundo terminava onde lentamente passava  um riachinho sempre crivado de guarus. Num dos lados  da  casa   via-se  uma  chaminé de tijolinhos onde  uma  gaze de  fumaça meneava seu corpo frágil  ao  sabor  do  vento. Na varanda, samambaias de metro  desciam a tocar o chão enquanto um pé de madressilva florescia já  a  alcançar  o madeirame do teto. Era caiada e possuía portas e janelas grandes pintadas de azul. Ali nascera e morava o menino Frederico.
Numa manhã de domingo após o café, seu pai, o senhor Bernardo, apressou-se a  apanhar o jornal costumeiro. Logo na primeira página em letras grandes, um título chamava a atenção.:
- Frederico, venha ver isso aqui! Alarmou o pai.
Era abril de 1961, quando o cosmonauta Soviético Yúri Gagarin a bordo da Vostok-1, transformara-se no primeiro homem a orbitar o planeta terra numa altitude assombrosa. Concluiu a façanha em 108 minutos. Maravilhado ele exclamou: "A terra é azul".
Porém, por causa desse histórico acontecimento alguma coisa não ficou bem. Isso tornou-se a centelha que deu início a uma corrida espacial sem precedentes entre EUA e URSS, exacerbando ainda mais a chamada guerra fria entre  as duas potências que  já se arrastava desde o final da segunda grande guerra.

"Isso tudo não passa de lorota, propaganda pra vender mais jornais e revistas. Efetivamente não acreditavam que um ser humano colocado dentro de uma  rústica bola de aço pudesse voar tão alto, cair no deserto e ainda sobreviver!"
Este era o pensamento da maioria das pessoas que viram a notícia. A incredulidade era muito forte e tinha lá suas razões, exceto para Frederico, aquele menino sempre  adorou tudo relativo à  ciência espacial e essa não foi diferente.
De imediato o menino se apoderou daquela página de jornal e leu e releu até perder a conta e o sono....
No dia seguinte durante o recreio da escola chamou seus dois amigos mais próximos, Samuel e Natalino e a eles mostrou com júbilo o pedaço de jornal. Logo estavam rodeados de curiosos que palpitavam a respeito.
_Que tal a gente construir uma coisa assim parecida e brincarmos de viagem espacial? Perguntou Frederico com os olhos brilhantes.
_ E como a gente constrói essa jabiraca?Gritou Natalino.
_ Vamos pensar! Pensaram?
Uma idéia veio assim como um raio e foi de Samuel.
_ Um tambor!
_ Batata! Gritou Frederico. Vamos colocar isso no papel. Concluiu.
E assim fizeram naquele mesmo dia.

Os três meninos andavam sempre juntos, e assim ganharam o apelido de "os três da vila” sempre acompanhado pelo cão de Frederico que se chamava Turuna.
A vida caminhava tranquila para os meninos. Escola e brincadeiras. Também regulavam na idade, doze para treze anos.


Sara  irmã mais velha de Samuel, já  há algum tempo, demonstrava uma forte queda por Frederico. Quando o via, seu coração acelerava, porém a reciprocidade não era verdadeira e isso deixava a menina quase sempre emburrada. Os estudos, as invenções e criações das traquitanas, era o que realmente interessava e ocupava a mente de Frederico.
Depois da aula, dirigiram-se os três até o Ferro-Velho do senhor Maneco na esperança de encontrar o que desejavam para a construção de mais uma daquelas engenhocas..
Na entrada mal cuidada, havia um frondoso pé de urucum que além de uma sombra acolhedora forrava o chão com seus ouriços maduros e fendidos pelo calor. Pisando com cuidado entraram  e já começaram a escarafunchar com os olhos, algo que lhes interessasse.
         __ Caramba, carambola! Olha lá no meio daquela bagunça toda, gritou Natalino despertando  o velho que tirava um cochilo:
_ O que querem aqui seus moleques? Esbravejou ele com seu sotaque lusitano.
_ É aquele tambor velho ali, o senhor daria ele para nós? Antecipou Frederico.
_ Se me pagam!
_ Mas é velho e não serve pra nada seu Maneco!
_ Ora! Se não serve, por que querem?
_ Caramba, carambola! Não falei que isso não daria certo? Irritou-se Natalino.
         _ Espera! Gritou Samuel Quanto custa?
         _Três mangos, preço de balas, sem pechincha!
         Os meninos se reuniram numa conferência.
         _ O senhor compra garrafas? Perguntou Frederico.
         _ Se for de cerveja pago cincoenta centavos, pois.
         _Tudo bem seu Maneco, a gente volta!

Sairam os três a passos cuidadosos e com olhar de pura traquinagem.  Bastou o velho Maneco dar as costas, para se embrenharem em meio àqueles escombros de ferros  garrafas e madeiras.
         _ Mas isso não é roubo? Perguntou  Samuel com certa aflição



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

poemas out./nov. 2017

Passa uma flor
No lépido riacho.
Um galho à frente,
Seu breve descanso.
Murmura a flor
Sorri o riacho.
Murmura, desgarra-se
E segue aparvalhada
Sumindo nas dobras das águas.
Porém, nada foi em vão:
Um poema te faço!

<//><//><//><//>

Um dia a tua voz
Chamou-me do outro lado do Vale.
Achando ser somente o meu Eco,
Ignorei-a.
Ah! Coração! Como fui Tolo.

[Un día tu voz
Me llamó del otro lado del Valle.
En el caso de que sólo sea mi Eco,
La ignoré.
¡Ah! ¡Corazón! Como fui Tolo.]


<//><//><//><//>

Agora os dias estão mais suaves.
Pitangas e nêsperas
Fazem a festa dos pássaros
E o sonido dos pássaros me acalmam..
A velha jabuticabeira
Anda nevada de flores
E o rocio, bem mais cintilante.

O capim está a reverenciar
Com mais suavidade.
Azaleias e lírios amarelos
Arrematam com seus bordados
A longa alameda por onde caminho.

Queria sim, a primavera,
Um perene estado de espírito
E não somente uma estação do ano!

<//><//><//><//>

Lembra da primeira vez
Quando nossos lábios se encontraram?
Nossas mãos se perderam
Nas curvas dos nossos corpos.
Tão profundo frenesi...
Que num tremular de lábios
Tua boca disse sim!

[ Recuerda la primera vez
Cuando nuestros labios se encontraron?
Nuestras manos se perdieron
En las curvas de nuestros cuerpos.
Tan profundo frenesí ...
Que en un tren de labios
¡Tu boca dijo sí! ]

Set. 2017

Poemas de nov. 2017

O amor secreto....
Talvez seja o mais puro.
Sobrevive   na calada, no escuro
Somente com o lúmen d’alma.
É ovelha tosquiada,
Sem balido, calma!!!

[El amor secreto ....
Tal vez sea el más puro.
Sobrevive en la calada, en la oscuridad
Sólo con el lumen de alma.
Es una oveja,
¡No hay balido, calma!]

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Os picos mais altos
São realmente majestosos.
Porém, são mais susceptíveis
À neblina ou neve!

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Minha serra branqueja
Dia após dia como uma geada perene!
Não é fria, apenas denuncia
Que meu leste
Fica cada vez mais distante....

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A amizade perdida
É como uma abelha
Levada pelo vento:
Nunca mais flores...

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Se um dia flores embora
O que será do meu jardim?

De José Alberto Lopes®


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Zanzalá O Poema


















Vou partir pra Zanzalá
No vento da madrugada!
Fica depois de acolá
Desta muralha azulada!

Nessa terra Zamiresca
Quero viver poetizando
Lá tem sombra e água fresca
E uma rede, quando em quando.

Lá numa Pira incansável
Brilha grande evocação.
Pai Sumé, esse honorável
O fogo dá a distinção!

Ensinou a agricultura,
A fé, a arte e o amor!
Pra que o homem co’estrutura
Alcançasse seu primor.

Vou partir pra Zanzalá
No vento da madrugada
Vou-me embora para lá
Com a alma escancarada!

Lá, portas ficam às largas
Pois o medo é coisa finda.
Há paz em todas as plagas,
Serra abaixo, serra acima!

Lá terei meus camaradas
D’arte, da literatura...
E os sons das madrugadas
Sinfonia de abertura...

Terei morada e uma cama.
Onde amarei com ternura
Uma donzela Serrana,
Fruto da minha ventura!



De José Alberto Lopes. Maio de 2017


Baseado em leitura do livro ZANZALÁ do escritor Cubatense AFONSO SCHMIDT.
Escrito em 1928 e publicado pelo Clube do Livro em 1949.
                Zamiresca – A junção das palavras Za e Mir que em Russo quer dizer: pela paz.
               Afonso Schmidt criou a palavra Zamiresca, no sentido : um lugar de paz, terra de paz.