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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Um giro pela África





Por ocasião da copa do mundo de futebol que aconteceu  no ano da graça de  2010 na África do Sul, resolvi conhecer um pouco mais esse imenso e intrigante continente.
Dizem ser a África, o berço da humanidade, a motriz primeira, onde tudo começou. A chamada mãe África. Devo  admitir que o meu fascínio pela África vem de há muito tempo. Então abri um velho Atlas  e dei um giro por lá. Entrei pelo Marrocos e não parei mais.
Hospedei-me numa pensão chamada Camabatela dirigida pelo casal Mauritânia e Johannesburgo, ali fiz o meu Quartel General e parti para uma aventura bem singular.

Antes que alguém me pergunte, já vou logo antecipando:
Não saberia dizer com propriedade se é legal ser negão no Senegal, pra maioria deles  parece que sim.
Fazer gambiarra em Gâmbia é tão normal quanto é no Brasil. No Gabão há gabolas também, mas onde não há?
Na África há muitas regiões  quentes, mas o Sudão parece uma sauna. Lá a gente mal sai do chuveiro e já está  em estado de sudação. Haja sudário no Sudão!
Gana é um país curioso. Muita gente de gana vi por lá, gente que não desiste  por qualquer coisa, está sempre  na luta. Mas isso é notório em todo o continente africano.
Na Libéria, como passei muito rápido por causa da chuva, não sei dizer se as coisas por lá são liberadas ou não...

 A jornada nem bem começava e eu já estava com um pouco de dor de cabeça. Talvez pelas letras miúdas que me forçavam as vistas, além das variações de cores daquele enorme mapa. Mas sendo o africano um povo prestativo, ao ouvir a minha queixa, um deles  me sugeriu:
-Tome um comprimido de Botsuana que a dor logo  Saara. Tomei e saarou mesmo... É o doril de lá.
Depois de correr cada retalho colorido do mapa, voltei para o meu Q.G  lá na pensão  Camabatela.
E foi lá que fiquei sabedor de uma  história que começa assim:
Mauritânia era uma bela mulher africana, alta, esbelta, seios fartos, pele bem tratada, alegre  e com um lindo sorriso de piano. Usava  um par de grandes brincos de Angola e pulseiras de cordinhas coloridas.
Johann esburgo seu marido, acabrunhado que estava, declinou-me suas mágoas, sua história.
Disse-me que Mauritânia já não era a mesma de antigamente. Durante o dia não saía da academia . – Ela Somália, Somália , disse o homem dando com o punho cerrado sobre uma mesa.E prosseguiu: - E quando a tardinha  cai ela já se prepara para curtir os Egito da noite me deixando aqui num Chade cadeira. Vai sempre para o club Adisabeba coca-cola e lá  se esbalda até de madrugada. Já não aguento essa vida! Além do mais ela quase sempre aparece com jóias, sapatos caros e vestidos novos. E quando lhe pergunto  de onde veio tudo isso? ela diz que foi no bingo...
Analisando bem o fato, tomei a liberdade e lhe disse umas palavras:

- Amigo Johannes.... quer um conselho? Olha!, Namíbia humilde opinião, Quênia ou não Quênia trata-se de um caso de cornismo...melhor separar-se dela. Essa tal Mauritânia, me desculpe,  não é Moçambique... nem aqui, nem lá, e olhe lá hein?
-Era isso que eu precisava ouvir. Hoje tomo uma decisão! Obrigado amigo! Disse Johannes..  coçando a cabeça.
- Que decisão? perguntei preocupado.
- Vou juntar seus panos da Costa do Marfim e mandá-la em bora...

Dito e feito, decisão tomada. Depois bebericou um Chade Guiné Bissau pra espantar a zique-Zaire e comemorar a decisão tomada, porém, abusou na dose e acabou ficando pra lá de Marrakesh.
  quase noite ele acordou e ainda meio Mogadíscio resolveu espairecer. Entrou num Zanzibar , o boteco de lá, tomou uma  Níger com Burkina só pra espantar o Mali. Também não dispensou a famosa porção de Camarões.
Terminada a beberança e a comilança, pediu uma caixinha de goma de Madagáscar, atravessou a rua Luanda e sentou-se num Togo de madeira em frente ao mar e lá ficou quase uma hora ruminando, meditando, chorando, a ver navios.... Ele  queria deixar Mauritânia definitivamente, mas não estava preparado pra isso. Não tinha coragem, parecia amá-la de  uma forma doentia. À noite sentiu saudades e saiu correndo rumo ao Adisabeba coca-cola para lhe pedir perdão e implorar a sua volta como já fizera outras vezes.
Chegou até a ruela do estacionamento e lá, ficou Maputo da vida. O seu  Cairo estava  parcialmente  no chão. Haviam lhe roubado o toca-cds, o estepe, uns cds do Chico Cézar, um macaco e duas Rodésias.
 
Foi aí minha gente, que eu entendi porque as Rodésias  haviam desaparecido dos mapas já há algum tempo tendo hoje outros nomes como Zâmbia e Zimbábue, respectivamente substituindo a Rodésia do norte e a  Rodésia do Sul.
Sei que deixei de visitar alguns países. Numa outra oportunidade com certeza o farei.
Ufa! depois dessa, meu Deus! fechei  meu atlas, pois já eram atlas horas, digo, altas horas. Lá no quarto, minha esposa Argélia, cansada de me esperar, já dormia em nossa bela cama de Trípoli, sobre lençóis Casablanca.










José Alberto lopes®
Maio de 2010







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