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segunda-feira, 11 de junho de 2012

ODE AO VELHO FÍCUS

(Foto internete)

Ode  ao velho Fícus

O velho Fícus
Perdido  no tempo
E o tempo
Consumindo-se
Feito incenso queimando.
Os artelhos da árvore
Cada vez mais grotescos
Tomavam o terreno
Como celtas errantes.
Seus galhos torcidos
Pelo tempo inclemente
Sustentavam outros tantos,
Mais tenros, mais nobres
Onde repousavam
Suas folhas fidalgas,
Brilhantes e cerosas
 Como os olhos  da jia.
Ah! os ninhos perenes das rolas.
Os pardais, fim de tarde.
Cigarras vivendo,
Cigarras morrendo
Nesse universo verdoso
De seio impenetrável
Ao sol e a chuva!

Oh! Ramas camarinhas.
Teu signo, teus anos,
Quem  se importa?
Que mãos te agasalharam com a terra
Para que chegaste até aqui?
Benditas mãos!

Teu colo marcado
A canivete.
 Nomes, corações, juras..
Tua sombra feminil,
Refrescante e cheirosa
Onde  paravam os andantes,
Cansados, como a mendigar
O teu ar!
São provas  inefáveis
Da tua existência...
Ah! confessionário das paixões.
Ouvidora dos queixumes
Dos pássaros, insetos, vento, chuva..
Seria uma rua onde havia uma árvore?
Ou uma árvore onde havia uma rua?

Mas um dia, sem prévio aviso
Vieram...........
Ninguém protestou,
Ninguém que se saiba!
Vieram ruidosos
Vestidos de verde.
Nem claro, nem escuro!
Diria: um verde irônico.
Chegaram no frescor da manhã;
O hálito das folhas ainda serpeava no ar.

A serra rosnou, rosnou!
Mostrou seus dentes afiados, travados.
Depois, imitando o canto da cigarra
Ela em desatino cantou.
Foi um canto triste.
Um Invernal canto!


Porque cortaram  um velho Fícus perto de casa- Bairro Assunção - SBC. SP.
O homem quando morre, colocam-no sob a terra, e a árvore, tiram-na da terra para morrer!

06/06/2012
José Alberto Lopes®

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